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Empresarial Quinta-feira, 21 de Maio de 2020, 12:04 - A | A

21 de Maio de 2020, 12h:04 - A | A

Empresarial / CRISE ECONÔMICA

Micro e pequenas empresas recorrem à recuperação judicial

O advogado especialista no assunto, Antônio Frange Júnior, afirmou que a expectativa é que o número de pedidos de recuperação chegue a 5 mil em 2020, mais que o triplo da média anual de 1,4 mil

Da Redação



O número de pedidos de recuperação judicial começa a indicar o tamanho da crise que atinge a economia no país. Dados da Serasa Experian apontam alta de 46% em abril na comparação com março, passando de 82 para 120 solicitação. E a maioria dos pedidos vem das pequenas e micro empresas, que representaram, de janeiro a abril, 59% do total de requerimentos. Dos 377 pedidos de recuperação judicial solicitados este ano, 226 são de micro e pequenas empresas.

O levantamento divulgado pela Serasa Experian mostra ainda que em abril houve o registro de 53 pedidos de recuperação judicial por parte de micro e pequenas empresas, o que representa 44% do total solicitado no mês.

A tendência, porém, é que estes números cresçam ainda mais, visto que a grande parte das empresas ainda buscam outras alternativas antes de solicitar a RJ. O advogado especialista no assunto, Antônio Frange Júnior, afirmou que a expectativa é que o número de pedidos de recuperação chegue a 5 mil em 2020, mais que o triplo da média anual de 1,4 mil.

“A recuperação judicial deverá ser a única alternativa para muitas empresas que estão fechadas e que provavelmente serão as últimas a retomar as atividades, como é o caso do setor de turismo, de eventos e de lojistas de shoppings. Os empresários precisarão buscar junto a especialistas a melhor alternativa para cada caso”, explicou Frange Júnior.

De acordo com o advogado, não existe um limite mínimo com relação ao valor da dívida para requerer a recuperação judicial, mas ele destacou que valores abaixo de R$ 1 milhão podem tornar o recurso inviável devido aos custos.

“Não há limite, mas é preciso analisar a viabilidade da negociação para saber se o custo não superará os benefícios da recuperação. O empresário precisa saber que existem outras alternativas além da judicialização e, por isso, a importância de uma avaliação especializada sobre o melhor caminho a ser tomado”, orientou Antônio Frange.

O processo de recuperação judicial tem, entre outras vantagens, a blindagem do patrimônio enquanto a dívida é negociada com os credores. Além disso, o valor da dívida é congelado a partir da aprovação do pedido, evitando o acúmulo de juros sobre o passivo.

“Alguns empresários tentam vender parte ou todo o patrimônio na tentativa de pagar as dívidas. Porém, além de perder os bens, muitos ainda ficam tão ou mais endividados em decorrências das altas taxas de juros”, afirmou o advogado. (Com informações da Assessoria)