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Penal Quarta-feira, 31 de Julho de 2019, 16:51 - A | A

31 de Julho de 2019, 16h:51 - A | A

Penal / GRAMPOLÂNDIA PANTANEIRA

Juiz aceita denúncia e ex-chefe da Casa Civil vira réu por escutas ilegais

Paulo Taques teria enganado as delegadas Alessandra Saturnino e Alana Darlene Cardoso, para que pessoas que não faziam parte de nenhuma investigação fossem interceptadas de forma ilegal

Lucielly Melo



O ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, virou réu em uma ação penal que apura a participação dele no esquema de interceptação telefônica ilegais, caso conhecido como Grampolândia Pantaneira.

O juiz Jorge Luiz Tadeu, da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, acatou, nesta quarta-feira (31), a denúncia do Ministério Público do Estado (MPE), que foi aditada pelo procurador geral de Justiça, José Antônio Borges, que acrescentou – além do crime de afirmação falsa que Taques já respondia – os delitos de escutas telefônicas e denunciação caluniosa.

“Desta forma e, ainda, verificando não incidir nenhuma das hipóteses previstas no artigo 395 do CPP, recebo a denúncia (fls. 04/08) e o aditamento (fs. 790/795) oferecido pelo Procurador-Geral da Justiça em face de Paulo Cezar Zamar Taques, por satisfazer os requisitos legais, vez que amparada em indícios de autoria e materialidade”, decidiu o magistrado.

O juiz ainda mandou Taques apresentar resposta à acusação, no prazo de 10 dias.

Entenda o caso

Segundo o MPE, Paulo Taques teria enganado as delegadas Alessandra Saturnino e Alana Darlene Cardoso, para que sua ex-amante Tatiane Sangalli Padilha e sua secretária Caroline Mariano fossem grampeadas de forma clandestina.

Os fatos ocorreram em 2015, quando os números telefônicos foram inseridos numa “barriga de aluguel”, levando Sangalli e Mariano a serem investigadas nas Operações Forti e Querubim.

O procurador-geral de Justiça citou que Taques criou uma “estória cobertura” sobre o suposto atentado do ex-comendador João Arcanjo Ribeiro contra si e seu primo, o então governador Pedro Taques, para conseguir monitorar as conversas feitas entre Sangalli e Mariano.

“Para dar cabo à sua vontade, Paulo Taques utilizou-se do conhecimento que possuía, de que Tatiane tinha amizade com Kelly Arcanjo, filha de João Arcanjo Ribeiro, e inventou uma “história cobertura” de que através de Sangalli e Caroline o “Comendador” obteria informações suficientes para planejar um atentado contra sua vida e do então governador Pedro Taques, seu primo”, pontuou Borges.

Desconfiado que as duas vazavam informações à seu respeito, Paulo teria pedido também para que as delegadas inserissem o telefone do jornalista Muvuca, mas Alessandra Saturnino negou o plano de interceptar o profissional por entender que não estava claro sua participação no enredo ilícito planejado contra o governador.

Segundo o procurador-geral não ficou claro a atuação de Sangalli e Mariano no plano de atentado citado por Taques e que as delegadas, ao quebrarem o sigilo telefônico das duas, induziram à erro o Poder Judiciário e o MPE.

“Isto demonstra que a suposta ameaça contra a vida do Chefe da Casa Civil e do Governador nunca existiu, não passando de uma “história cobertura” inventada pelo Acusado para monitorar, ilegalmente, sua ex-amante e sua secretária”.

“Com efeito, o intento de Paulo Taques nunca foi realizar uma investigação criminal, mas sim evitar que sua intimidade fosse exposta e que fatos ocorridos na Casa Civil viessem a público”, completou Borges.

Nos reinterrogatórios dos militares réus do caso “Grampolândia Pantaneira”, Paulo e Pedro Taques foram apontados como os mandantes do esquema que interceptou políticos, advogados, magistrados, jornalistas e médicos.

A intenção seria para monitorar as pessoas que tinham envolvimento com os adversários de Pedro, que concorria, à época, o cargo de governador do Estado.

LEIA A ÍNTEGRA DA DECISÃO ABAIXO:

Anexos