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25 de Julho de 2024

Cível Domingo, 19 de Julho de 2020, 09:03 - A | A

19 de Julho de 2020, 09h:03 - A | A

Cível / DECISÃO MANTIDA

TRF1 obriga OAB-MT a admitir advogada que atua como conciliadora

A OAB alegou que há ocorrência de incompatibilidade do exercício da atividade de conciliadora judicial com o da advocacia, mas o TRF1 não aceitou a justificativa e obrigou a entidade a integrar a profissional nos seus quadros

Da Redação



A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB-MT) teve que inscrever em seus quadros uma advogada que também atuava como conciliadora judicial nos Juizados Especiais Federais (JEFs).

A determinação é da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1).

A turma julgadora que negou provimento à apelação interposta pela autarquia contra a sentença da 1ª Vara Federal do Mato Grosso, que suspendeu o ato administrativo que indeferiu o requerimento de inscrição da profissional sob a justificativa de incompatibilidade da atividade de conciliadora judicial com o exercício da advocacia.

Na apelação, a OAB-MT alegou que há ocorrência de incompatibilidade do exercício da atividade de conciliadora judicial com o da advocacia, uma vez que “aqueles que possuem vínculo com o Poder Judiciário são incompatíveis com a advocacia, independentemente de proximidade com as atividades estritamente jurisdicionais”.

O relator, desembargador Marcos Augusto de Sousa, não acolheu os argumentos da OAB-MT. Afirmou o magistrado, em seu voto, que a sentença está correta.

Ele esclareceu que o bacharel em Direito que atua como conciliador e não ocupa cargo efetivo ou em comissão no Judiciário não se enquadra nas hipóteses de incompatibilidade previstas no artigo 28 da Lei nº 8.906/94, que instituiu o Estatuto dos Advogados e da OAB. Essa vedação ocorre somente para a propositura de ações no próprio Juizado Especial.

De acordo com o desembargador, “se a lei estabelece os limites da incompatibilidade e do impedimento para o exercício da advocacia, não pode a autoridade apontada como coatora ampliar as restrições previstas, principalmente por ser autarquia especial, submetida aos princípios da Administração Pública e, consequentemente, aos limites da estrita legalidade, mesmo porque, não havendo distinção feita pelo legislador, não caberá ao intérprete da norma distinguir”.

Para o magistrado, a sentença recorrida não destoa do entendimento jurisprudencial sobre a questão, no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no próprio TRF1, em diversos julgamentos.

Com isso, a 8ª Turma do TRF 1ª Região, acompanhando o voto do relator, negou provimento à apelação. (Com informações da Assessoria do TRF1)