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Penal Terça-feira, 16 de Julho de 2019, 17:53 - A | A

16 de Julho de 2019, 17h:53 - A | A

Penal / ACOMPANHE

Arrependido, Lesco pede desculpas por ter operado escutas ilegais

A audiência é conduzida pelo juiz Marcos Faleiros, na 11ª Vara Criminal da Capital, junto com o Conselho Especial.

Lucielly Melo



O coronel Evandro Lesco volta ao Fórum de Cuiabá, nesta terça-feira (16), para falar sobre o esquema de escutas telefônicas ilegais, conhecido como "Grampolândia Pantaneira", que teria ajudado a operar.

O depoimento do militar ocorre logo após o ex-comandante da Polícia Militar, Zaqueu Barbosa, trazer à tona novos fatos sobre o caso.

A audiência é conduzida pelo juiz Marcos Faleiros, na 11ª Vara Criminal da Capital, junto com o Conselho Especial.

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Atualização às 18h10

O juiz retoma a audiência, após ouvir Zaqueu Barbosa. O coronel Evandro Lesco está prestes a depor.

De início, o militar afirma que, ainda preso, tentou firmar delação premiada junto com os delegados Flávio Stringuetta Ana Cristina Feldner, mas os autos acabaram indo para o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Ele afirmou que não poderia revelar novas informações na primeira oitiva do caso, por ter firmado um termo de confidencialidade.

"Hoje, quero externar tudo aquilo que lá submeti ao MPE que, para a minha supresa, desconsiderou. Todos os fatos que aqui quero trazer, não farei reserva mental nenhuma. Vou falar os fatos ilícitos com respectivos autores e mostrar elementos de provas".

Se mostrando arrependido, o coronel pediu desculpas à família, à Polícia Miltar -- que ele chama de gloriosa instituição --, ao Ministério Público, à imprensa, à Ordem dos Advogados do Brasil e ao Poder Judiciário -- este por tentar obstruir a Justiça articulando a captação de áudio do desembargador Orlando Perri.

Adversários políticos da campanha de 2014.

Logo após, ele relata que em 2014, durante campanha eleitoral, à pedido de Zaqueu, ele e o cabo Gerson Corrêa se encontraram com o advogado Paulo Taques. Este lhe pediu para grampear os advesários políticos do seu primo, Pedro Taques, que disputava o cargo de governador de Mato Grosso.

Paulo teria pago R$ 12 mil, inicialmente, para operar o esquema com as placas Wytron. O equipamento, inclusive, teria sido doado pelo MPE, através do promotor de justiça Paulo Prado.

"Se não fosse essa iniciativa de essa placa ser doada, em que condições que não sei esclarecer, não precisaríamos estar aqui nessa sala, não precisaria estar eu aqui sentado como réu".

Posteriormente, houve a necessidade de desembolsar um segundo valor de R$ 6 mil. Ele foi até o escritório Paulo Taques e pegou esse valor, que foi respassado ao cabo Gerson.

O esquema começou com situações precárias, segundo o réu, que teriam levado à outro aporte financeiro: de R$ 13 mil.

Citou a aquisição de um kit de óculos, para captação de imagens reais, para também ser utilizado nas escutas. O coronel foi até Paulo Taques, que lhe repassou R$ 40 mil, sendo R$ 27 mil referente ao kit e os outros R$ 13 mil investidos no esquema.

Atualização às 18h46

O coronel afirma que era colaborador dos grampos, Zaqueu atuava como braço político e Paulo Taques coordenava e financiava o esquema.

Fala que utilizou recursos próprios, fez empréstimos de R$ 24 mil e passou ao coronel Corrêa que repassou para o empresário José Maria.

Chegou a pegar mais R$ 36 mil emprestados somente para aperfeiçoar o escritório que estava instalado o esquema.

A ferramenta evoluiu e houve outras demandas, quando em 2015, vem o pedido de inserção de novos números. O coronel fala que nesta época Taques pediu para manter o escritório clandestino e ordenou a inserção de outros números telefônicos.

Houve um pedido de Pedro Taques para vigiar o vice-governador do Estado, Carlos Fávaro. Para isso, um servidor do Observatório de Gestão, ligado à Fávaro, foi monitorado.

Atualização às 18h48

Em maio de 2017, o sistema já tinha sido desmontado, momento em que o caso veio à tona e a repercussão do esquema estava intensa.

Já no final de junho daquele ano, o inquérito dos grampos estava sob a relatoria do desembargador Orlando Perri, no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).  Na Casa Militar, dois oficiais o avisaram que ele seria alvo de uma operação prestes a ser deflagrada.

Ele recebeu uma ligação do governador Pedro Taques que questiona se estaria ocorrendo algo. Lesco promete averiguar a situação para depois reportá-lo.

Naquele mesmo dia, Siqueira Júnior e o então secretário da Casa Civil o procuram para saber sobre o que estava ocorrendo. Eles se exasperam e pedem para confecionar um ofício endereçado ao presidente do TJ, noticiando os fatos.

Muito exaltado e de forma intimidatória, Pedro Taques fez diálogo com o desembargador Orlando Perri, falando que não admitia que oficial fosse ameaçar secretários sobre operação. Desta forma, mandou que Lesco voltasse à Casa Militar.

Em agosto de 2017, ele acaba preso, mas consegue ser solto logo após.

O kit de óculos comprado anteriormente seria utilizado na farda da PM para espionar o desembargador.

Em setembro, teve a prisão preventiva decretada novamente, durante a Operação Esdras. Desta vez, a sua esposa também foi alvo de prisão.

Atualização às 19h09

Sobre Operação Imperador, ele disse que recebeu ordem em 2010, para providenciar o terminal telefonico de Jean Narssaden que estaria envolvido com desvio de recursos públicos. Ele precisou usar decisão judicial que não contemplava essa inserção do telefone. A determinação teria vindo do promotor de Justiça Célio Wilson de Oliveira. 

Alvo principal era deputado José Riva.

O promotor de Justiça Vinícius Gahyva e a defesa do coronel protagonizam uma discução, após o representante do MPE chamar as histórias contadas pelo réu de "fofocas".

Atualização às 19h20

Lesco apresenta documentos que comprovam seu testemunho.

Ele fala da Operação Aprendiz que foi iniciada após denúncia apócrifa e que designou policiais para checar as informações.

Segundo ele, fez uma barriga de aluguel após determinação do promotor Marco Aurélio, usando uma decisão judicial de uma operação em curso no Gaeco para inserir terminais telefônicos. Tudo de forma ilegal.

Operação Metástase

Lesco revela que não integrava mais o Gaeco e já na Casa Militar foi procurado por Gerson para atender uma designação de membro do MPE para interceptar a deputada estadual Janaina Riva.

Segundo ele, foi autorizada pelo promotor Marco Aurélio a interceptação da parlamentar e assim foi feita também de forma clandestina.

Operação Arqueiro

Resultou na prisão da ex-primeira dama Roseli Barbosa. Lesco disse que a metodologia era não inserir a então secretária de Estado, era para se manter a investigação de forma transversal.

Durante a operação, Roseli é exonerada e seu adjunto Jean já vinha sendo monitorado. Após a nomeação dele, os autos foram remetidos a segunda instância.

Diante da repercussão da conversa vazada entre o então governador Silval Barbosa e um desembargador, perguntou ao cabo Gerson o que estaria acontecendo. Ele relata que por determinação do promotor de Justiça inseriu diversos terminais da família de Silval.

Lesco afirma que sua esposa não teve participação de nada, tudo era ideia dele.

Ele se emociona e pede pesculpas pelos fatos.

Atualização às 19h41

Interceptação de médicos

O militar disse que médicos foram grampeados a pedido de Zaqueu para apurar irregularidades em OSS no Estado, mas nada restou comprovado.

Lesco cita o promotor Marcos Regenold.

Ele revela que assinou prestação de contas pretéritas, a pedido do promotor Marco Aurélio.

Atualização às 19h49

Juízes militares fazem perguntas a Lesco.

Ele revela que não recebeu os valores que aplicou nos grampos.

Juiz militar questiona porque ele não parou com os ilícitos, mesmo tendo conhecimento das ilegalidades.

Lesco disse que sempre foi leal, agiu com excesso e é passível de erro.

Atualização às 20h04

Promotor disse que muito do que Lesco falou não repercute no meio jurídico e nem serve de prova para outras ações.

Gahyva afirma que contra ele pesa uma única acusação.

O membro do órgão questiona o motivo de trazer nomes de terceiros e civis.

Ele questiona o que fatos narrados por Lesco tem a ver com o processo, mas o juiz disse que será uma análise dos juízes militares.

Gahya pergunta quando o coronel procurou o MPE, ele afirma que em 2019, mas antes teria procurado o delegado de polícia e a PGR.

O promotor insiste em perguntar a pertinência dos fatos relatados por Lesco com processo. O juiz afirma que a pertinência é subjetiva conforme a Constituição Federal.

 Atualização às 20h24

Advogado do cabo Gerson fala sobre o processo e faz perguntas.

Atualização às 20h32

Advogado de Lesco defende os fatos narrados, que podem resultar em benefícios ao seu cliente.

O militar conta que tentou uma delação junto a polícia, mas não avançou devido a remessa ao STJ. Lá houve novas tratativas com assinatura de termo de confiabilidade, mas não progrediram.

De volta a Justiça Estadual os autos, Lesco afirma que buscou mais uma vez a delação e não obteve êxito.

Atualização às 20h42

Sessão é encerrada.