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Cuiabá, 01 de Janeiro de 2026

Outros Órgãos Terça-feira, 30 de Dezembro de 2025, 11:00 - A | A

Terça-feira, 30 de Dezembro de 2025, 11h:00 - A | A

NO TCE

Mesas técnicas garantem soluções pacíficas para conflitos

Nos últimos dois anos, Tribunal ampliou o consensualismo e entregou soluções práticas em áreas essenciais

Da Redação

Diante de problemas complexos que ameaçavam a eficiência da gestão pública ao longo de 2024 e 2025, o Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) fez das mesas técnicas um instrumento de estabilidade para o estado.

A mediação envolveu crises no transporte e na saúde, a regularização de dívidas e medidas de fomento econômico, resultando em acordos que não só evitaram a paralisação de serviços essenciais, como diminuíram conflitos e fortaleceram a capacidade administrativa dos municípios.

Para o presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, esses resultados consolidam a ferramenta como referência entre gestores e instituições do Estado e do Brasil.

“As mesas técnicas têm se tornado bússolas, instrumentos de solução. Já não é mais novidade para ninguém a resolução que têm as nossas mesas técnicas e a confiança que existe nos resultados. Então, fica aqui registrado o valor, a importância e o respeito que a palavra e a posição que o Tribunal de Contas tem perante todas as instituições".

No período, algumas das situações mais delicadas envolveram o risco de colapso em áreas diretamente ligadas ao cotidiano da população. Exemplo disso foi o modelo de subsídio temporário para a linha entre Santo Antônio de Leverger e Cuiabá. A solução técnico-jurídica garantiu o equilíbrio econômico-financeiro do contrato, atendendo à reivindicação do Consórcio Metropolitano de Transportes (CMT) sem trazer aumento imediato nos preços das passagens.

Em Cuiabá, o acordo para o pagamento de R$ 48,4 milhões à Caribus Transportes e Serviços Ltda evitou a interrupção do transporte coletivo. A empresa alegava que a falta de repasses havia gerado endividamento com instituições financeiras, o que poderia resultar na apreensão dos ônibus.

“Isso prejudicaria milhares de pessoas que utilizam o transporte coletivo. Então, mais uma vez, o Tribunal mostrou que o consensualismo é o melhor caminho”, afirmou o conselheiro-relator, José Carlos Novelli.

Outro caso semelhante envolve a quitação de R$ 21,5 milhões devidos pela Prefeitura de Várzea Grande à empresa União Transporte e Turismo Ltda. Graças ao consenso, a frota será modernizada e os serviços, que se encerrariam em 2026, terão continuidade até a transição para uma nova contratação.

“Não teríamos como resolver isso sem a anuência e sem esse trabalho da equipe técnica do Tribunal, que foi imprescindível”, reforçou a prefeita Flávia Moretti.

Na saúde pública, as mesas técnicas também impediram a desassistência e reorganizaram fluxos de atendimento. Frente às dívidas acumuladas nos hospitais municipais de Cuiabá, elas promoveram medidas de controle financeiro e a elaboração de um plano de pagamento às empresas contratadas. Em outra frente, apontaram um novo modelo de contratação de serviços de traumatologia, ortopedia e fornecimento de materiais especiais, aumentando a eficiência da rede estadual.

“Espero que, com isso, ao invés de ficar 60 dias esperando uma solução, o acidentado de moto passe a ser atendido em 10 ou 15 dias no máximo”, afirmou o conselheiro Antonio Joaquim, relator da mesa.

“Tenho certeza de que essa solução de licitar de forma global vai gerar repercussão em todo o país, porque é um problema vivenciado por secretários de saúde de todo o Brasil”, acrescentou o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo.

Soluções para o desenvolvimento do estado

Além de soluções emergenciais, o trabalho, que é conduzido pela Comissão Permanente de Normas, Jurisprudência e Consensualismo (CPNJur), presidida pelo conselheiro Valter Albano, impulsiona o desenvolvimento do estado ao fortalecer as compras públicas e o setor produtivo.

“Estamos fazendo justiça com critérios jurídicos e técnicos, marcando presença como órgão que faz controle externo buscando solução, e não para obstar o desenvolvimento do estado”, explica ele.

Um dos avanços foi a aprovação da Central de Compras Públicas, proposta pela Associação Mato-grossense dos Municípios por meio do Ministério Público de Contas (MPC). A plataforma permite que pequenas prefeituras realizem licitações conjuntas reduzindo custos de contratação.

“Foi uma construção inovadora, que gerará uma economia de escala para Mato Grosso e para as compras públicas de todos os municípios que aderirem ao consórcio”, disse o procurador-geral do MPC, Alisson Alencar.

Outro resultado importante foi a revisão do Sistema de Inspeção Agroindustrial de Pequeno Porte (SIAPP-MT), que vai desburocratizar a comercialização da agricultura familiar, atualizar parâmetros sanitários e criar condições de competitividade.

“Lá na ponta, o pequeno produtor terá mais facilidade para montar sua agroindústria, criar seu frango caipira, produzir de forma sustentável e levar alimento para a mesa da população”, pontua o presidente da Empaer, Suelme Fernandes.

Gestão fiscal e proteção ao servidor

A gestão fiscal e a proteção ao servidor também estiveram no centro dos debates. Em dezembro de 2024, o consensualismo assegurou a permanência no Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) daqueles que cumpriam os requisitos até o marco temporal fixado pelo Supremo Tribunal Federal.

“Em 60 dias construímos uma solução que atende bem as normas nacionais e a jurisprudência nacional”, destacou à época o relator do processo, conselheiro Waldir Teis.

Em 2025, o enfrentamento ao superendividamento dos servidores estaduais resultou na suspensão de repasses a empresas investigadas e na aprovação de uma normativa para orientar a nova regulamentação do crédito consignado. Em uma das mesas mais emblemáticas da história, o Tribunal reuniu representantes do Executivo, Legislativo, Ministério Público, Defensoria Pública e entidades sindicais, analisou mais de 90 mil contratos e emitiu uma série de determinações e recomendações.

“Esses encaminhamentos consolidam a transição para uma política permanente de uma negociação responsável, educação financeira obrigatória e transparência nas consignações”, afirmou Sérgio Ricardo ao homologar os resultados, em novembro. “O objetivo é recompor a renda funcional, prevenir o superendividamento e fortalecer a integridade da gestão pública com governança clara e prazos de implementação”, acrescentou o presidente.

Governança e segurança jurídica nas decisões públicas

Para resolver situações de alta complexidade jurídica, as administrações municipais buscaram nas mesas técnicas segurança e orientação. Foi assim que Água Boa, assegurou a continuidade da primeira parceria público-privada (PPP) de iluminação pública do estado. 

No caso da Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis (Coder), foi definido o caminho para a liquidação da empresa pública, que acumula dívida superior a R$ 260 milhões. “Nós sabemos que é uma decisão difícil, complexa politicamente, mas que, do ponto de vista da gestão, é importantíssima. Foi feito um trabalho técnico excepcional e o Tribunal foi fundamental para chegarmos a uma conclusão satisfatória”, afirmou o presidente da empresa pública, Laerte Costa.

Na seara da judicialização, uma mesa solicitada pelo Poder Judiciário resultou na definição de um fluxo aprimorado para as Representações Pré-Processuais da saúde, com procedimentos mais claros e maior controle sobre as demandas.

“O principal objetivo é diminuir as filas de espera para procedimentos eletivos sem a necessidade de judicialização. Assim, o Estado poderá aplicar recursos com mais eficiência, beneficiando os cidadãos", explica o relator, conselheiro Guilherme Antonio Maluf.

Debates continuam

Para 2026, novas frentes de diálogo já começaram a se encaminhar. Em dezembro, o Tribunal discussão sobre a defasagem nos valores pagos por obras de pavimentação e instalou mesas técnicas voltadas ao saneamento básico de Cuiabá e Várzea Grande, além de instaurar mesa dedicada a soluções para a gestão e destinação final dos resíduos sólidos, envolvendo municípios dos consórcios Cidesapa e Cides-Vale do Rio Cuiabá. (Com informações da Assessoria do TCE)