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Opinião Sexta-feira, 27 de Março de 2020, 13:47 - A | A

27 de Março de 2020, 13h:47 - A | A

Opinião /

Coronavírus e o "Primeiro Mundo"

Logo, ainda progressivamente sejamos estimulados a retomar nossas vidas, em breve poderemos comemorar a absorção desse vírus como mais um, que assim como a gripe “comum”, pode matar, se não tomarmos os cuidados individuais



Dias atrás entre 17 e 26 de fevereiro de 2020, estive com meu filho em alguns países da Europa, fomos a vários parques e museus, visitamos lugares absolutamente lotados, milhares de pessoas reunidas.

Salvo alguns chineses (constrangidos) pela visível discriminação dos Europeus, não vi qualquer outro cidadão de máscara, mantendo distância um do outro, nem existia preocupação com a disposição de álcool em gel nos estabelecimentos comerciais, e acima de tudo, não vi uma única placa de aviso sobre o COVID-19, absolutamente nenhuma medida restritiva ou orientativa me foi prestada.

Contudo, os números que só de poucos dias pra cá tornaram-se claros, mostram-nos que só na Europa já teria mais de 200 casos confirmados até o dia 20 de janeiro, então é de se presumir que nos dias da nossa viagem, esse número fosse muito maior, ao que parece, eles foram negligentes ao extremo!

Acredito que dentre os critérios para se classificar os países como “primeiro mundo”, deva ser considerado a capacidade de cuidar do seu povo, a transparência das informações, os investimentos na saúde pública e também o cuidado com os turistas. Podemos então dizer que a Europa e a China, se comportaram como se esperava de um país como a Venezuela?

É claro que tínhamos notícias sobre o vírus no dia de nosso embarque, ainda era considerado uma epidemia que segundo informações, estava praticamente centralizada na China. Naqueles dias, nenhuma medida restritiva era determinada ou recomendada, apenas algumas orientações quanto aos cuidados com a higiene, ou seja, absolutamente nada que nos fizesse mudar os planos de nossa viagem.

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Minha ficha realmente caiu, quando chegamos ao Brasil e fomos recebidos em GRU por uma equipe do Ministério da Saúde, averiguando alguns passageiros e preenchendo protocolos com os comissários.

No mesmo dia de nosso regresso, dia 26 de fevereiro, portanto, se confirmava o primeiro caso da Covid-19 no Brasil, e de lá pra cá, a rotina dos brasileiros, as recomendações e as determinações explodiram em nosso país numa velocidade jamais vista, tudo isso diante de um único caso confirmado. Vê-se a diferença?

Quero crer que ao final disso tudo, sairemos com o peito inflado e os olhos cheios de orgulho da nossa nação, gratos pelos cuidados do Governo Federal, do Ministério da Saúde e dos governantes em geral. O “primeiro mundo” foi negligente, NÓS NÃO!

E mais, fazendo contas de “açougueiro” estimo que entre dezembro e fevereiro, entraram mais de UM MILHÃO de passageiros vindos do exterior ao Brasil, talvez os casos do Covid-19 já fossem multiplicadamente mais expressivos, não fossem as nossas habilidades.

Não há como gerir uma população com mais de 200 milhões de habitantes, senão baseado em números, estatísticas, análise histórica e parâmetros de probabilidade.

Logo, ainda progressivamente sejamos estimulados a retomar nossas vidas, em breve poderemos comemorar a absorção desse vírus como mais um, que assim como a gripe “comum”, pode matar, se não tomarmos os cuidados individuais.  

Temos a chance de ensinar ao “primeiro mundo” como um país de PRIMEIRO MUNDO deve cuidar, acima de tudo, de sua gente!

Alex Sandro Rodrigues Cardoso - Advogado