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Opinião Quarta-feira, 01 de Abril de 2020, 10:19 - A | A

01 de Abril de 2020, 10h:19 - A | A

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Advocacia enlutada: faleceu nesta quarta-feira (1º) o Jurista Luiz Flávio Gomes

Esse cidadão brasileiro promoveu uma verdadeira revolução no ensino jurídico nacional, levando a possibilidade de estudo de primeira qualidade aos rincões do Brasil



Até parece notícia tipicamente de primeiro de abril. Não é. Infelizmente. Na madrugada de hoje, o Jurista Luiz Flávio Gomes despediu-se do nosso plano de existência. É isso mesmo, deixou de existir o LFG. Evidentemente, pessoas superlativas, como é o caso do nosso (brasileiro) Luiz, transcendem o termo morte formal, que está inclusive escrito em uma lei – o Código Civil, art. 6º. Elas têm predicados maiores, coincidentes com uma vida dedicada a um propósito definido. São pessoas certeiras, fidedignamente imbuídas na criação de valores; tais correspondem a critérios de significativa importância para a vida das pessoas, de todas as pessoas, da cúspide à modéstia. Os predicados são tantos. LFG é sujeito que encerra integridade semântica. É por si mesmo reconhecido.

LFG nascera a 6 de maio de 1957, no interior paulista (Sud Menucci/SP), graduando-se em Direito em Araçatuba (1979). Tornou-se mestre em Direito Penal pela Universidade de São Paulo (1989) e doutor em Direito Penal pela Universidade Complutense de Madri (2001).

Esse cidadão brasileiro promoveu uma verdadeira revolução no ensino jurídico nacional, levando a possibilidade de estudo de primeira qualidade aos rincões do Brasil. Fundou a Rede LFG no ano de 2003, a primeira rede de ensino telepresencial da América Latina. Os cursos LFG chegaram a mais de 220 cidades brasileiras, distribuídos em mais de 420 unidades. Após várias temporadas de liderança no seguimento, em 2008, concluiu uma negociação em que vendeu a empresa à Anhanguera Educacional por nada menos do que 78 milhões de dólares americanos – um recorde!

Ocupou o cargo público de policial civil, Delegado de Polícia (1980), Promotor de Justiça (1980/1983), Juiz de Direito em São Paulo (1983/1998). Foi Advogado entre 1999 e 2001. Na política, foi Deputado Federal por São Paulo, exercendo o cargo desde 1° de fevereiro de 2019. Dentre outros projetos, criou o movimento de combate a corrupção, “Quero um Brasil Ético”.

LFG "é" um Jurista e um Escritor de escol. Versava sobre o Direito, o estrito Direito, e sobre conhecer as palavras, não simplesmente os pingos dos “is”. Conhecer o raciocínio, não simplesmente o ponto de chegada. Construir o Direito, não simplesmente opinar, tomar partido e quejandos.

Nos primeiros pingos de hoje, partiu LFG. Aproveitou-se da licença nitchiana, “o orvalho cai sobre a relva quando a noite mais silencia”. Nos deixou aqui, hoje. Porém, não nos abandonou. Deixou um legado de inestimável valor, o de que não há substituto para o trabalho duro (Thomas Edison). Essa pessoa inspirou milhões de outras pessoas. Formou outras tantas em Direito. Uma geração de membros de Poder deve ser grata ao LFG e ao seu sistema de ensino jurídico. Em estado de dicionário, o verbete concurso público estará perenemente ligado ao termo LFG...

O LFG revolucionou o ensino jurídico no país, desmistificando o direito - que é uma técnica 'de tentativa' de solução de conflitos sociais. Quando do falecimento de Cacilda Becker, escreveu Carlos Drummond de Andrade: “A morte emendou a gramática. Morreram Cacilda Becker. Não era uma só. Eram tantas...”, que depois foi replicada, a escrita, quando da morte do próprio Poeta. Dessa vez, os escribas podem se ocupar de uma outra versão, “A morte emendou o ordenamento jurídico brasileiro. Morreram LFG. Não era um só. Eram tantos...”

Que descanse em Paz e que Deus conforte os seus familiares. Requiescat in pace.

Avante!

Fernando Faria é Advogado. Graduado em Direito (UFMT). Especialista em Direito Penal e Processo Penal (FMP/RS). Aluno do Programa de Mestrado em Direito Penal (UBA/AR) e aluno do LFG.