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Cuiabá, 04 de Março de 2026

Advocacia Quarta-feira, 04 de Março de 2026, 07:10 - A | A

Quarta-feira, 04 de Março de 2026, 07h:10 - A | A

EXPLORAÇÃO DE PRESTÍGIO

Advogados que vendiam influência no Judiciário são alvos de operação

Vítimas do suposto grupo criminoso são familiares de presos que eram abordados e "convencidos" a pagar valores maiores pelas sentenças judiciais

Da Redação

Dois advogados e um bacharel em Direito foram alvos da Operação Smoke, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso nesta quarta-feira (4), por suposta prática de exploração de prestígio e associação criminosa.

Segundo as investigações, eles cobravam valores de familiares de reeducandos sob a promessa de decisões favoráveis, alegando ter influência sobre magistrados.

Ao todo, são cumpridos três mandados de busca e apreensão, três mandados de imposição de medidas cautelares diversas da prisão e nove ordens de afastamento de sigilos bancário, fiscal e telemático, expedidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias de Cuiabá.

A OAB acompanhou o cumprimento das buscas realizadas nos endereços vinculados aos profissionais da advocacia, em observância às prerrogativas legais.

Os mandados de busca e apreensão são cumpridos nos bairros Pico do Amor, Santa Rosa e Residencial Coxipó, todos em Cuiabá.

Investigações

As investigações, conduzidas pela Delegacia de Estelionato de Cuiabá, apontaram que o grupo abordava familiares de pessoas presas e prometia a obtenção de decisões judiciais favoráveis, alegando possuir influência junto a membros do Poder Judiciário.

Em contrapartida, eles exigiam o pagamento de valores elevados, sob o argumento de que tais quantias seriam destinadas a terceiros com suposta capacidade de interferir nas decisões.

As negociações ocorriam por meio de encontros presenciais e comunicações por aplicativos de mensagens, com orientação para que as conversas fossem mantidas em absoluto sigilo.

Ordens judiciais

Além das buscas, o Poder Judiciário determinou a imposição de medidas cautelares diversas da prisão, como comparecimento periódico em juízo, proibição de manter contato com os demais investigados e com testemunhas, proibição de se ausentar da comarca sem autorização judicial, com entrega de passaporte, além do monitoramento eletrônico.

O uso de tornozeleira eletrônica pelos investigados busca assegurar o controle judicial de seus deslocamentos e prevenir eventual reiteração dos crimes.
As quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático têm por objetivo aprofundar a análise da movimentação financeira e das comunicações mantidas pelos investigados, permitindo identificar a origem e a destinação dos valores supostamente obtidos, bem como a dinâmica relacional do grupo.

Nome da operação

Smoke faz referência à expressão doutrinária que associa o crime de exploração de prestígio à chamada “venda de fumaça”, utilizada para descrever condutas em que o agente promete influência inexistente ou indevida junto a autoridades públicas, oferecendo algo imaterial e fraudulento em troca de vantagem econômica. (Com informações da Assessoria da PJC-MT)