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Cuiabá, 06 de Outubro de 2026

Outros Órgãos Quarta-feira, 19 de Novembro de 2025, 11:23 - A | A

Quarta-feira, 19 de Novembro de 2025, 11h:23 - A | A

JUSTIÇA RACIAL

Cresce o número de processos por racismo no país, aponta CNJ

Apenas em 2025, mais de 7 mil novos casos foram registrados, número significativamente superior ao do ano anterior

Da Redação

G. Dettmar/CNJ

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O número de processos criminais envolvendo racismo e crimes correlatos aumentou em todo o país. Segundo dados de novembro de 2025 do Painel de Monitoramento Justiça Racial, há 13.440 processos pendentes de julgamento, a maioria (97,4%) na Justiça Estadual.

Apenas em 2025, mais de 7 mil novos casos foram registrados, número significativamente superior ao do ano anterior: nos 10 primeiros meses de 2024, foram 4.205 novos processos.

O painel de Justiça Racial é fruto de parceria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), por meio dos programas Justiça 4.0 e Justiça Plural. A ferramenta tem origem no Pacto Nacional do Poder Judiciário pela Equidade Racial, que visa aperfeiçoar a gestão de dados raciais, subsidiando a implementação de políticas públicas judiciárias baseadas em evidências para a promoção da equidade racial.

Os dados do painel podem ser visualizados por estado, município, segmento da Justiça e tribunal. As informações processuais são extraídas da Base Nacional de Dados do Poder Judiciário (Datajud) e referem-se a casos envolvendo racismo (intolerância e/ou injúria racial e casos análogos) nos âmbitos penal e infracional.

Avanço da representatividade negra

Além dos dados sobre processos criminais, o painel traz informações sobre a composição racial do Judiciário brasileiro. Em todas as instâncias e segmentos da Justiça, apenas 26,82% das pessoas que trabalham no Judiciário são negras.

Apesar dessa sub-representação, o dado representa um crescimento em relação a 2024, quando as pessoas negras correspondiam a 24,76% do total. Em números absolutos, o total passou de 74.079 pessoas negras em 2024 para 81.183 em 2025, sendo 2.702  magistrados e 78.481 servidores.

“Ter dados confiáveis e atualizados sobre raça e cor no Judiciário é fundamental para compreender desigualdades históricas e orientar decisões que tornem a Justiça mais justa e inclusiva”, afirma João Felipe Menezes Lopes, juiz auxiliar da Presidência do CNJ e coordenador do Programa Justiça 4.0.

Para garantir que a quantidade de pessoas negras em carreiras do Judiciário continue a aumentar e para reforçar o compromisso da Justiça em promover a equidade racial, o CNJ atualizou, no último dia 11, as regras sobre a aplicação de cotas nos concursos do Judiciário. Agora, o percentual mínimo de reserva de vagas passa de 20% para 30%, abrangendo pessoas pretas, pardas, indígenas e quilombolas. (Com informações da Assessoria do CNJ)